
Educação integral e escola de tempo integral
Nós vivemos um momento inédito da história, o da individualização das crenças, em que a
escola deve repensar sua articulação entre a sua visada universalista e o pluralismo do
público que ela recebe, entre a esfera pública e a vida privada, protegendo a infância das
agressões do mundo adulto, sem, contudo, deixá-la ignorar os conflitos que o atravessam. Dominique Julia
Repensar a escola e as suas articulações se constitui em um imperativo atual e de
complexas relações. Entre os diversos temas que a discussão da educação pública nos evoca, a formulação de concepções de uma educação integral, tem
ocupado importante espaço, nos últimos anos, na agenda dos debates sobre
educação e está associada à formulação de uma escola de tempo integral.
Não se trata apenas de um simples aumento do que já é ofertado, e sim de um
aumento quantitativo e qualitativo. Quantitativo porque considera um número maior de horas, em que os espaços e as atividades propiciadas têm intencionalmente caráter educativo. E qualitativo porque essas horas, não apenas as suplementares, mas todo o período escolar, são uma oportunidade em que os conteúdos propostos, possam ser ressignificados, revestidos de caráter exploratório, vivencial e protagonizados por todos os envolvidos na relação de ensino-aprendizagem
Abordar a educação integral e o desenvolvimento de uma escola em tempo integral implica um compromisso com a educação pública; uma escola pública que cumpra com sua função social, qual seja, a de socializar as novas gerações, permitindo-lhes o acesso aos conhecimentos historicamente acumulados, contextualizando-os e contribuindo na ampliação do capital simbólico existente, propiciando às crianças e jovens conhecer o mundo em que vivem e compreender as suas contradições, o que lhes possibilitará a sua apropriação e transformação.
Antonio Sérgio Gonçalves
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